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Assentamento Campos de Salgado de São Félix exporta algodão colorido para a Europa

Escrito por: gilberlania costa on terça-feira, 20 de março de 2018 | 09:39:00


Agricultores do Assentamento Campos, no município de Salgado de São Félix, no Agreste paraibano, viram na retomada da cultura do algodão, que até a década de 1980 era a principal atividade da região, a chance de conquistar novos mercados e uma nova fonte de renda. Desde 2015, o algodão produzido no assentamento, que é cultivado de forma manual e orgânica e já nasce colorido, é exportado para a Europa, onde é transformado em artigos de cama, mesa e banho e em peças de vestuário. A expectativa para este ano é de que a produção das 35 famílias que trabalham com a cultura no assentamento chegue a aproximadamente 60 toneladas de plumas de algodão nas cores verde e rubi.

Na última sexta-feira (16), as famílias do assentamento, a cerca de 95 quilômetros de João Pessoa, receberam, pela primeira vez, a visita do embaixador regional para a América Latina da Textile Exchange, Sílvio Moraes. A organização não-governamental que ele representa atua no fortalecimento da cultura do algodão orgânico para a indústria têxtil através da construção de elos entre produtores e compradores.

A revitalização da cultura do algodão no Assentamento Campos começou há três anos com o assentado João Lourenço, de 52 anos. Sua família, assim como as outras do assentamento, era posseira da antiga Fazenda Campos, onde existia uma grande plantação de algodão branco até a década de 1980, quando a praga do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) provocou o declínio da cultura no Semiárido nordestino, que já foi a maior área de produção algodoeira do país.

Foi com o objetivo de aumentar a renda da família que João Lourenço procurou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater/PB)-Gestão Unificada, que forneceu as sementes de algodão orgânico das variedades BRS Rubi e BRS Verde. As variedades de algodão colorido são fruto de mais de 20 anos de melhoramento genético convencional, cruzando-se plantas de algodão entre si, conduzido pela Emprapa Algodão. As pesquisas resultaram em cinco variedades com tonalidades que vão do verde-claro aos marrons claro, escuro e avermelhado.

Em cerca de três anos, o sucesso da experiência iniciada pela família de João Lourenço conquistou outras famílias do Assentamento Campos. Atualmente, o grupo de produtores reúne 35 famílias. Cada uma delas possui um lote com uma média de 20 hectares e vai plantar um ou dois hectares de algodão consorciado. “No começo, o povo aqui achava que eu era louco. Eles me perguntavam onde eu iria vender o algodão”, revelou João Lourenço.

As primeiras plumas de algodão colhidas pela família de João Lourenço foram comercializadas ainda em 2015 para os Estados Unidos com o apoio da Emater/PB-Gestão Unificada. No mesmo ano, o coordenador do Projeto Brasil da Organic Cotton Colours, Diógenes Fernandes, visitou o assentamento e começou a organizar um grupo de agricultores para aumentar a produção de algodão.

Desde 2016, toda a produção de algodão colorido orgânico do assentamento é vendida à Organic Cotton Colours, uma empresa sediada na região da Catalunha, na Espanha, que trabalha com algodão orgânico há mais de 25 anos e comercializa o algodão colorido produzido no Assentamento Campos no mercado europeu.

De acordo com a Embrapa Algodão, sediada em Campina Grande, a Paraíba já chegou a produzir cerca de 700 mil toneladas de algodão por ano. A cultura sofreu forte declínio a partir da década de 1980 devido à praga do bicudo, ao elevado endividamento dos produtores rurais, que perderam safras por questões climáticas, e à concorrência com outros países produtores.


Fonte de renda

Em 2017, os assentados do Assentamento Campos receberam R$ 9 por quilo de pluma. Os agricultores também lucraram com a venda das sementes de algodão, comercializadas por R$ 1,50 o quilo.

Para João Lourenço, o plantio de algodão consorciado com outras culturas garante produção diversificada e renda extra. “Vale muito a pena porque é mais um reforço na nossa renda, pra gente comprar roupas, calçados. Se a gente estivesse plantando só milho e feijão não tinha como”, disse. “É ótimo o plantio de forma consorciada porque primeiro colhemos o feijão, depois o milho e, por último, o algodão”, explicou o agricultor assentado.

O técnico em agroecologia Moisés Batista de Oliveira, 32 anos, também vive com a família no Assentamento Campos. Ele nunca havia trabalhado com algodão até 2016, quando plantou dois hectares após o sucesso da experiência iniciada por João Lourenço, que hoje representa o grupo produtor de algodão do assentamento. Moisés viu no algodão uma forma de incrementar a renda da família, que produz ainda milho e feijão-verde. “O algodão orgânico é vantagem para o agricultor familiar porque a gente já tem comprador certo e também aprende mais sobre a agroecologia”, afirmou o agricultor.

A Organic Cotton Colours está orientando os produtores do Assentamento Campos para, até o final do ano, obter a certificação orgânica participativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o algodão produzido pelas famílias da comunidade.

Segundo Diógenes Fernandes, a Organic Cotton Colours possui uma demanda de pelo menos outras 40 toneladas de algodão branco, verde e rubi. Atualmente, a empresa também trabalha com o algodão produzido por grandes produtores da Índia. Mas, ele explicou que o objetivo da Organic Cotton Colours é adquirir todo o seu algodão do Brasil e assim valorizar a agricultura familiar.


Produção sustentável

O plantio de algodão no Assentamento Campos é feito em consórcio com outras culturas, como milho, feijão e gergelim, mantendo uma proporção de 50% do campo plantado com algodão, que não recebe agrotóxicos nem insumos químicos. A produção é de, em média, uma tonelada de algodão por hectare. A diversificação garante o equilíbrio ambiental, o melhor aproveitamento da terra e a diversidade de alimentos – umas das principais características da agricultura familiar.

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